Sábado, 01 Agosto 2009

O Clube do Filme

9788598078434-100x100.jpgÉ menos cinema e mais a relação entre pai e filho. Isso não é demérito, diga-se. A decisão do pai, um crítico de cinema, sobre o adolescente que odeia a escola é corajosa e de consequências imprevisíveis —o garoto pode deixar de estudar, mas terá de assistir a três filmes por semana com o pai; o tal “clube” do título. Às vezes, os desencontros do filho são meio tolos, embora naturais —afinal, adolescente não tem nada na cabeça mesmo. Isso me impacientou um pouco, mas não tirou o prazer da leitura.

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Terça, 30 Dezembro 2008

Cora

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Livraria da Vila, shopping Cidade Jardim, em São Paulo
 
 

Todas as Vidas

Vive dentro de mim uma cabocla velha de mau-olhado, acocorada ao pé do borralho, olhando para o fogo. Benze quebranto. Bota feitiço... Ogum. Orixá. Macumba, terreiro. Ogã, pai-de-santo... Vive dentro de mim a lavadeira do Rio Vermelho. Seu cheiro gostoso d'água e sabão. Rodilha de pano. Trouxa de roupa, pedra de anil. Sua coroa verde de São-caetano. Vive dentro de mim a mulher cozinheira. Pimenta e cebola. Quitute bem feito. Panela de barro. Taipa de lenha. Cozinha antiga toda pretinha. Bem cacheada de picumã. Pedra pontuda. Cumbuco de coco. Pisando alho-sal. Vive dentro de mim a mulher do povo. Bem proletária. Bem linguaruda, desabusada, sem preconceitos, de casca-grossa, de chinelinha, e filharada. Vive dentro de mim a mulher roceira. -Enxerto de terra, Trabalhadeira. Madrugadeira. Analfabeta. De pé no chão. Bem parideira. Bem criadeira. Seus doze filhos, Seus vinte netos. Vive dentro de mim a mulher da vida. Minha irmãzinha... tão desprezada, tão murmurada... Fingindo ser alegre seu triste fado. Todas as vidas dentro de mim: Na minha vida - a vida mera das obscuras!

Quinta, 21 Agosto 2008

Verissimos

Do escritor Luis Fernando Verissimo, hoje no Estadão: 

O escritor Luis Fernando Verissimo relembra o pai, Erico. "Uma vez, após um enfarte, meu pai foi convidado a se candidatar à ABL e respondeu: "Mas eu já sou quase uma vaga!? Quando o amigo Vianna Moog insistiu, disse: 'Está bem, Moog. Vou me candidatar para a tua vaga'. Moog nunca mais tocou no assunto. Meu pai era contra qualquer tipo de formalidade". Verissimo, o filho, vai na mesma linha: "Eu não me candidato porque não tenho obra literária que mereça a honra nem o físico para o fardão, ainda mais depois que o (Moacyr) Scliar me contou que a gente não fica com a espada. Mas também tenho amigos lá dentro e respeito a instituição".

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