Terça, 24 Fevereiro 2009

De Partida

De Partida, curta-metragem dos amigos Paulo Paiva, Yuri V. Santos, Cassia Queiroz e Pedro Novaes

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Segunda, 25 Agosto 2008

Flashbacks of a Fool

 

Vale mesmo pelo tal flashback do título original —Flashbacks of a Fool virou Reflexos da Inocência.

Joe (Daniel Craig; também produtor do longa) é um astro de Hollywood que vive um presente autodestrutivo em meio a drogas, orgias, egocentrismo e muita babaquice (pelo menos o personagem não é um yuppie de Wall Street ou um alto executivo de grande empresa). No momento em que se descobre em decadência, recebe também a notícia da morte de seu melhor amigo de infância e juventude.

Essa primeira parte é um tanto monótona. Quando o filme muda para a adolescência de Joe, as coisas melhoram e muito. A partir daí, o filme ganha beleza e maturidade.

Numa vila no litoral inglês, durante as férias de verão nos anos 1970, Joe descobre o primeiro amor, o sexo e o peso dos acontecimentos —a cena em que ele e Ruth dublam If There Is Something, do Roxy Music, é impagável. São os fatos que o levarão a perder a tal inocência do título brasileiro.

É fácil perceber que algo grave o fará se transformar no babaca do presente, mas a história é muito bem conduzida, sem pieguice, pelo diretor Baile Walsh em sua estréia em longas —ele é autor de videoclipes que tem em seu currículo bandas como Oasis e INXS; no filme, além de Roxy Music, destacam-se músicas de David Bowie

Quando ela retorna ao presente, perde bastante força —Joe volta à cidade natal para o enterro. E a pequena redenção que ele consegue no final soa irreal e forçada. Reflexos da Inocência poderia muito bem ter se centrado muito mais no flashback.

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Segunda, 23 Junho 2008

Across the Universe

Trailer do filme, dirigido por Julie Taymor

Embora não goste muito de musicais, achei o filme muito legal. É um pouco suave demais, mas nada que atrapalhe. As versões das músicas são ótimas e os caras cantam mesmo. Há ainda participações especiais engraçadas, como as de Bono e, principalmente, de Joe Cocker, além de muitas referências às letras, aos albuns do quarteto ou a personagens reais do anos 60.

 

Trecho com Across the Universe e Helter Skelter

 

Trecho psicodélico, e bem bonito, com Because
Ouvir Beatles me dá vontade escrever/compor uma canção...

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Segunda, 05 Fevereiro 2007

Pequena Miss Sunshine

medium_505165_little-miss-sunshine-posters.jpgO marido criou uma fórmula do tipo auto-ajuda sobre como vencer na vida. Ele mesmo não venceu. O pai dele foi expulso do asilo. Motivo: heroína. O filho dele, de 15 anos, fez voto de silêncio porque quer muito ser piloto de jato. Não diz uma palavra faz 9 meses. A mulher não agüenta mais a tal fórmula do marido. E tem ainda de se preocupar com o irmão, um estudioso de Proust suicida.

 

Enfim, são todos fracassados — losers, na concepção simplista da cultura americana. E, no decorrer do filme, vemos que as coisas só pioram. Mesmo assim, são uma família. Bem divertida. Juntos, embarcam todos numa velha kombi rumo à Califórnia, onde a filhinha de uns 9 anos sonha em se tornar a Miss Sunshine do título. Ela é adorável. De certo modo, o filme também.

 

É um filme pequeno, independente. Nenhum dos atores é uma grande estrela, mas são conhecidos e bem-conceituados — Alan Arkin e Toni Collette, principalmente. Estão todos ótimos e o conjunto funciona perfeitamente. Tudo isso levou Pequena Miss Sunshine ao Oscar como “gente grande”. Concorre em 4 categorias: filme, atriz coadjuvante (Abigail Breslin, a garotinha) , ator coadjuvante (Arkin, o avô) e roteiro original.

 

Todãs as indicações são merecidas, mas gosto desta última. A história é mesmo bem criativa e divertida. O concurso é uma das partes mais engraçadas — uma crítica ao culto à beleza.

 

Rir de si mesma é um exercício que a cultura americana faz muito bem — como em Os Simpsons; Homer é o resumo do cidadão tolo, guloso e loser. Rir de perdedores é fácil. Talvez seja hora de os EUA rirem também de seus heróis.

03:25 Escrito em Filme | Permalink | Comentários (0) | Enviar por e-mail | Tags: filme | |  del.icio.us | | Digg! Digg |  Facebook

Quarta, 25 Outubro 2006

Cum mi-am petrecut sfarsitul lumii

medium_getimg.jpgOntem, bem no meio da tarde, assisti a um filme da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Escolhi um que, muito provavelmente, não poderia ver nem no circuito nem em DVD — afinal, a Mostra é para isso, não?, para ver filmes impossíveis de ver. É claro que a escolha é um chute. A minha foi o romeno Como Eu Festejei o Fim do Mundo. É a indicação da Romênia para ser candidato ao Oscar.

É bom filme, talvez mais para o regular, por ser um pouco convencional demais. O bacana foi poder ter contato com uma cultura distante e recente, no caso a da Romênia de 1989, que seria o último ano de uma longa ditadura.

A história é sobre uma adolescente (a atriz parece a brasileira Maria Flor), que começa a sentir algo errado no ar do país, e seu irmão pequeno e bem engraçado, de uns 6 ou 7 anos. Ela se chama Eva. Ele, Lalalilu.

Eva é expulsa do colégio — que reproduz o clima comunista, com professores autoritários e imagens e canções patrióticas — por uma bobagem: num acidente, ela e o namorado derrubam um busto do ditador Nicolae Ceausescu. Começa então a perceber que algo não pode estar certo naquele clima todo de idolatria.

[Bem, nós aqui já vivemos os nossos anos de chumbo. E, normalmente, nosso cinema os retrata com revolta, luta armada, etc. Não é isso que acontece em Como Eu Festejei o Fim do Mundo. O filme vai mostrando, na verdade, a vizinhança em que os dois irmãos moram, pessoas que, a despeito de tudo, estão tocando suas vidas, apesar de não estarem de acordo com a situação. Não é isso que a maioria das pessoas por aqui também fez? Meus pais, por exemplo. Casaram-se e constituíram família em plena ditadura militar. Mas, embora não concordassem nem um pouco com os generais, levaram a vida ao ponto de, na primeira eleição democrática para presidente, no mesmo ano em que se passa o filme, dois de seus três filhos já estarem na faculdade.]

Eva vai para uma escola-reformatório, onde conhece um garoto cujos pais são suspeitos de conspirarem contra o governo de Ceausescu. Planejam então uma fuga do país cruzando o Rio Danúbio. A história segue por aí até a queda do ditador.

O garoto é bem divertido. Está revoltado tanto com Ceausescu, por causa da expulsão de Eva, quanto com a irmã, por ela querer abandonar a família. Planeja até um atentado contra o ditador. O despertar de Eva e essa parte bem-humorada são o melhor do filme. O final é levemente “aberto”, como o é o futuro de todos nós — inclusive o da Romênia.

PS: O título do post é o nome do filme em romeno

04:45 Escrito em Filme | Permalink | Comentários (0) | Enviar por e-mail | Tags: cinema, filme | |  del.icio.us | | Digg! Digg |  Facebook

Segunda, 07 Agosto 2006

Zuzu Angel

medium_zuzzu.jpgDelirando ou sonhando, ela encontra o filho numa praça, à noite. Lamenta o que aconteceu e o que não fez. Ele a conforta e, ao fim, a toma nos braços. É uma cena fictícia, claro. É uma cena bonita. De um bom filme.

A imprensa que li andou reclamando — a Folha deu “regular”; o Estadão elogiou com ressalvas; para o Globo, não está à altura da personagem; Veja nem comentário fez. Sei lá. Ninguém se queixou do Surperman Returns

Acho que o melhor a dizer é que não se prenda às críticas. Pague para ver. O mínimo que terá é conhecimento. E a história é tão simples. Uma tragédia universal. A mãe que luta para enterrar o filho. O elenco é bom. Patrícia Pillar está perfeita.

PS.: Vi, pela primeira vez, em projeção digital. Já tinha lido muitas queixas a respeito. Não achei ruim. Mas ressalvo que a sala do Reserva Cultural tem tela não muito grande. Talvez numa sala do tipo estádio a perda seja de fato notável.

04:00 Escrito em Filme | Permalink | Comentários (0) | Enviar por e-mail | Tags: Filme, cinema, Zuzu Angel | |  del.icio.us | | Digg! Digg |  Facebook

Segunda, 01 Maio 2006

Árido Movie

Fui ver no sábado. É bom mesmo. Talvez haja um exagero em querer abordar, simultaneamente, muitas questões que formam grandes problemas no semi-árido: seca, religião/misticismo, coronelismo, colonialismo, preconceito, atraso, narcotráfico. Mas não ficou um balaio-de-gatos, não é isso o que eu quero dizer. As histórias são bem contadas.

A principal, do personagem Jonas, é bem interessante. As outras duas, secundárias, também têm valor: a da videomaker e a do trio de amigos malucos — achei esta última também um tanto exagerada em sua porralouquice, mas cabe a ela toda a parte divertida do filme.

13:00 Escrito em Filme | Permalink | Comentários (0) | Enviar por e-mail | Tags: filme | |  del.icio.us | | Digg! Digg |  Facebook

Segunda, 15 Agosto 2005

Nem Tudo é o que Parece

Já aviso que vou contar o final do filme.

 

Fui ver na onda da Folha, que fez crítica elogiosa e deu 4 estrelas na Ilustrada. É o segundo filme ruim de gângster inglês que vejo nos últimos tempos -- o outro é I'll Sleep When I'm Dead. É chato, não vale o esforço de ir até o cinema e pagar o ingresso.

 

Depois dos filmes do Guy Richie, o marido da Madonna, acho que ando esperando demais dos britânicos neste gênero. Pelo que vi na Folha, o diretor Matthew Vaughn é amigo e produtor de Ritchie. O crítico (ou crítica, não me lembro quem era) até recomendava o filme para quem tinha gostados de Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes e Snatch.  Mas não é bem assim.

 

A idéia até parece interessante. Está mais bem apresentada no título original, Layer Cake (camada de bolo). Tem a ver com a ambição de subir socialmente, escalar as tais camadas do bolo social. Deve ser alguma expressão britânica.

 

O protagonista, que não é bem ralé nem chefão na quadrilha, quer se aposentar do crime enquanto está indo bem. Mas terá de fazer um servicinho complicado para o chefão. Aí vai aparecendo aquele bando de gente dando porrada, gritando palavrões, negociando drogas, trapaceando uns aos outros. Não há nenhum personagem muito diferente, nenhum engraçado, nenhum que se sobressaia. Algo que as obras de Richie tinham de sobra.

 

O cara apanha em alguns momentos, bate em outros. Acaba matando o próprio chefe, que, claro, não havia passado o serviço pra ele por acaso. Rei morto, rei posto. Vira o chefe. E, no fim, morre pelas mãos de um bandidinho nerd, porque roubou-lhe a bela (põe bela nisso) namorada.

 

A vida no crime é efêmera. Grande novidade!

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Domingo, 26 Junho 2005

Elefante

É simplesmente genial. Primeiro, porque é uma história que deve ser contada, apesar de toda a sua mostruosidade -- uma recriação da tragédia de Columbine. Segundo, pela forma como ela é contada por Gus van Sant.

 

A história toda é mostrada meio à distância -- a câmera (e o nós) vai acompanhando cada personagem -- num ritmo quase único, esticada até o limite de ser reencontrada de volta no tempo por um novo ângulo (no caso, de um outro personagem).

 

E você sabe quem são todos os personagens. São todos adolescentes comuns.

 

Depois do filme, estava tão tenso que só hoje, o dia seguinte, notei que não sabia p q ele se chama Elefante. Pesquei a explicação do Merten, no arquivo do Estadão:

 

"O título é uma homenagem ao diretor Alan Clarke, que fez um filme homônimo sobre a violência religiosa na Irlanda. Nele se conta, como uma parábola, a história do cego que quer saber o que é um elefante. Trazem o bicho e o cego esquadrinha o animal com as mãos, tentando desvendar, por meio do tato, o segredo da sua forma. Mas o rabo, a tromba, tudo o confunde e ele não consegue totalizar uma idéia. A soma das pequenas partes não lhe permite resolver o enigma. Assim também o cinema age como cego quando se debruça a analisar a violência, por prender-se ao detalhe em vez de contextualizar e fazer uma crítica mais abrangente. É o que se propõe Gus Van Sant."

 

Mas, apesar de tudo, confesso que não quero vê-lo nunca mais. "O horror, o horror...."

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