Domingo, 17 Abril 2011

Born to Be Wild

born to be wild 3d Documentário de média duração em 3D sobre dois projetos para salvar filhotes órfãos: orangotangos em Borneo e elefantes no Quênia. 

É narrado por Morgan Freeman, o que é muito legal. 

O filme é bem didático e levemente infantil, sem que isso atrapalhe, mas altamente recomendável para filhos e sobrinhos --havia várias crianças no cinema. 

O 3D, ainda mais numa tela Imax, é sensacional. Nada de selvas e criaturas azuis criadas por softwares, apenas a velha e boa natureza selvagem e fantasticamente real.

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Sábado, 16 Abril 2011

Bill Cunningham New York

Filme, fotografia, jornalismo

Boa história, bom personagem.

Bill Cunningham, 81, registra a moda de rua em Nova York faz uns 50 anos. Percorre as ruas numa bicicleta --não guardei quantas ele disse que já teve, mas me lembro de quantas já lhe foram roubadas: 28.

Usa filme. Publica no NYT. É reconhecido por figuras como Tom Wolfe e Anna Wintour.

É simpático, recluso, obsessivo. Tocante. Expõe-se de forma sincera e íntegra.

"It's as true today as it ever was. Who seeks beauty will find it", diz.

Bom documentário.

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Quarta, 23 Fevereiro 2011

Antonioni: desfechos

MV5BMTI4MjA0MjU4Nl5BMl5BanBnXkFtZTcwMjQ1OTgyMQ@@._V1._SY317_CR5,0,214,317_.jpgAssisti dias desses a O Eclipse (1962), do Antonioni. Gostei mais de A Noite (1961) --da triologia, ainda falta A Aventura (1960), o primeiro.

Acho que compreendi melhor A Noite, com a história do casal que não se ama mais.

(Logo no início, eles constatam a brevidade da vida --o melhor amigo está morrendo de câncer-- e vêem --ela principalmente-- que perdem tempo num casamento que já acabou)

Vi boa parte dos filmes do Antonioni. Foram: O Grito (1957), A Noite, O Eclipse, Blow-Up (1966), O Passageiro (1975), Deserto Vermelho (1962), Identificação de uma Mulher (1982) e Além das Nuvens (1995); deste último já nem me lembro.

O que constatei mesmo ao ver O Eclipse é como os filmes de Antonioni têm desfechos surpreendentes.

Em O Passageiro, depois de agarrar a oportunidade que lhe cai nas mãos e trocar de vida, o cara constata que não havia mesmo saída para sua frustração e o final é aquele que todos conhecem.

O Grito já antecipava isso, com menos primor.

Blow-Up brinca com ilusão e realidade. E o desfecho é incerto: seja real, seja ilusório, ele nos escapa.

Em O Eclipse, a personagem da Monica Vitti, após desilusão amorosa, se envolve com o de Alain Delon. No final, eles fazem juras um para o outro.

("Vamos nos ver amanhã?", ele pergunta. "Amanhã e depois de amanhã", ela responde. "E depois de depois de amanhã", diz ele. "Esta noite", diz ela. "Às 8, no local de sempre".)

Mas tudo que o final mostra —sem diálogos— são cenas, detalhes "ao vento" (você terá de ver para entender melhor). Nem ela nem ele aparecem... E "fim".

PS.: 

  • Em A Noite, destaco a sobriedade do personagem de Jeanne Moreau, que, ao contrário do marido, vê o inevitável.
  • Adoro Monica Vitti em A Noite: "Tutte le volte che ho cercato de comunicare con qualcuno… l’amore è andato via" ou "Io non sono intelligente. Sono sveglia!"
  • O erotismo de Blow-Up é espetacular. 
  • Não curti Deserto Vermelho nem Identificação de uma Mulher; fiquei muito perdido.
  • Acho que, dos principais de Antonioni, faltam A Aventura e Zabriskie Point (1970)

09:30 Escrito por fiume em Filme | Permalink | Comentários (0) | Tags: filme, cinema | |  del.icio.us | | Digg! Digg |  Facebook | |  Imprimir

Terça, 22 Fevereiro 2011

Cisne Negro

1291936769_black_swan_ver7.jpgFilme tenso, intenso, angustiante, muito angustiante até. Muito bom.

Retrata de forma convincente a estranha e exigente rotina do ballet clássico e de suas bailarinas, sua busca cega pelo movimento perfeito e a pressão do meio (física e psicológica), da rotina, da estreia.

Bailarina tem de matar seus próprios demônios para, enfim, ter êxito em seu principal papel --parece autoajuda, eu sei, mas não tem esse viés.

Apenas quando o faz, ela finalmente torna-se o cisne negro, cativante a ponto de seduzir a plateia, a mãe, a concorrente, as colegas, o mentor, o espectador. Mas sua bela transformação rumo à perfeição terá seu preço.

Não sei quanto às outras concorrentes ao Oscar de melhor atriz e, claro, é estranho e arriscado falar sobre algo que não vi em seu todo, mas acho muito improvável que Natalie Portman não vença. O personagem é riquíssimo e ela corresponde totalmente. Parece extremamente frágil em sua porção cisne branco e seus delírios são intensos.

Tendo visto apenas quatro dos dez concorrentes ao Oscar de melhor filme --A Origem, A Rede Social, Bravura Indômita e Cisne Negro--, eu votaria, mas não apostaria, neste último.

10:04 Escrito por fiume em Filme | Permalink | Comentários (4) | Tags: filme | |  del.icio.us | | Digg! Digg |  Facebook | |  Imprimir

Segunda, 21 Fevereiro 2011

Dois cisnes, um ganso, uma barata e nenhum galeto

Encontrei o Ganso, o jogador, num restaurante na Augusta com a alameda Santos. Foi no sábado à noite, depois de ver Cisne Negro no Espaço Unibanco.

Cheguei e logo fiz o pedido. Eram por volta de 21h30 --Marta ligou para a cunhada, depois do pedido, às 21h36. Como não apurei o "outro lado", vou omitir o nome do restaurante.

Pedi um galeto... Tipo clássico, com salada verde. Marta pediu uma Ceaser Salad. Havia poucas mesas ocupadas.

Cinquenta minutos e quatro galetos servidos em mesas vizinhas, passou uma barata na parede, bem ao lado do meu braço. Chamei um garçom, houve uma pequena operação de guerra, alguém a retirou com um guardanapo.

Eu já havia reclamado na demora na vinda do prato. Mas, com esse pequeno incidente, pedi a conta.

Apareceu o maître, educado, pediu desculpas, dizendo que ficássemos. Pedi eu desculpas, falei que não ficaríamos, chegou então o galeto --e a salada de Marta--, disse que pagaria os pratos, o maître não aceitou nem o valor das bebidas...

Enfim... Comi no Súbito do Conjunto Nacional.

Não posso garantir que o risoto estava melhor que o galeto, mas ele fez o percurso da cozinha até minha mesa num tempo cinco vezes menor e o único bicho que apareceu foi um adolescente desajeitado que estava na mesa ao lado.

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Quinta, 17 Fevereiro 2011

Bravura Indômita

poster.jpg

Falta algo a Bravura Indômita. O filme é bom, bem feito, correto, tem tensão, bons atores. Mas não há alguns elementos característicos dos irmãos Coen, seja a ironia de Barton Fink e Fargo, seja, principalmente, a secura de Onde os Fracos Não Têm Vez --este sim um western genial.

09:35 Escrito por fiume em Filme | Permalink | Comentários (0) | Tags: filme | |  del.icio.us | | Digg! Digg |  Facebook | |  Imprimir

Quarta, 20 Outubro 2010

O Bem Amado

o-bem-amado_poster_012.jpg

Bem divertido.

A crítica malhou, mas não vi tanta razão para isso. Marco Nanini está ótimo como Odorico Paraguaçu, assim como todos os demais atores.

E ainda tem a [boa] sacada de juntar a esquerda política no mesmo saco da direita.

15:18 Escrito por fiume em Filme | Permalink | Comentários (2) | Tags: filme | |  del.icio.us | | Digg! Digg |  Facebook | |  Imprimir

Quinta, 07 Outubro 2010

Wall Street - O Dinheiro Nunca Dorme

poster wall street.jpgÉ inferior ao primeiro. Bom filme.

Entre dólares e ações (aos bilhões, diga-se) e explicações para a crise de 2008 nos EUA, acaba se sobressaindo a questão pessoal, familiar, em contraponto à ganância dos tubarões do filme de 1987. Talvez por isso a opção pelo final do tipo "uma segunda chance".

Sensacional a cena das joias no baile do Metropolitan -- seria possível fazê-la sem cortes?

13:36 Escrito por fiume em Filme | Permalink | Comentários (0) | Tags: filme | |  del.icio.us | | Digg! Digg |  Facebook | |  Imprimir

Segunda, 27 Setembro 2010

Cabeça a Prêmio

cabeça a premio.jpgMe decepcionou, embora reconheça que é muito bem feito. Faltou uma "explosão" [estou falando de tensão, não de bombas, ok?]. É a estreia do ator Marcos Ricca na direção, a partir de livro do escritor Marçal Aquino.

A história da família de fazendeiros envolvida com o atividades ilegais na fronteira com a Bolívia parece mais interessante do que o filme propõe. É uma terra distante da lei, sem identidade exata, espremida entre culturas fronteiriças. Isso não ficou tão claro.

O melhor da trama é a disputa interna de poder na família, que vai sendo construída habilmente, de forma muito sutil, até perto do final, quando irmão mais novo (Otavio Muller) tenta uma cartada fria contra o mais velho, Fulvio Stefanini. É o ponto que mais gera tensão.

Todos os atores, por sinal, estão muito, muito bem. Principalmente Stefanini.

Mas a trama demora um pouco a se desenvolver. A tal "cabeça a prêmio", por exemplo, ocorre quando já se passou mais de uma hora de filme e restam 30 minutos para o fim.

A construção do personagem de Eduardo Moscovis, um matador a serviço dos irmãos fazendeiros, é imprecisa, por ser óbvia. E Denise Weinberg, uma atriz muito bacana, faz uma ponta estranha: uma cigana que não tem função na história.

Há uma frase muito boa do personagem de Cássio Gabus Mendes, matador e parceiro de Moscovis: "A gente é bom. Só que tá do lado errado".

14:25 Escrito por fiume em Filme | Permalink | Comentários (0) | Tags: filme | |  del.icio.us | | Digg! Digg |  Facebook | |  Imprimir

Quinta, 16 Setembro 2010

It Might Get Loud

it-might-get-loud.jpgInteressante homenagem a algo bem específico e característico do rock: a guitarra.

O documentário A Todo Volume (de Davis Guggenheim, vencedor do Oscar em 2007 por Uma Verdade Inconveniente) reúne três instrumentistas expoentes do gênero, numa espécie de mesa-redonda musical intercalada por depoimentos individuais sobre suas carreiras e experiências. São três gerações distintas, que trocam ideias sobre música, técnica e suas próprias histórias musicais.

Jimmy Page, músico de formação tradicional que fundou o lendário Led Zeppelin, defende a criatividade em extremo, por meio de toda e qualquer experimentação.

The Edge, do super-bem-sucedido U2, em contraponto à geração anterior, prefere o minimalismo aliado à tecnologia --não por acaso sua influência inicial parte do punk.

Jack White, do conceituado White Stripes, por fim, volta-se ao passado do blues sulista tradicional e menospreza a tecnologia.

Um trecho curioso, embora bem simples, é o em que Page mostra o riff de Whole Lotta Love, um dos principais sucessos do Led Zeppelin: Edge e White se aproximam imediatamente para ver de perto, com sorrisos de satisfação, a composição do arranjo, desempenhada por seu criador.

Por ser tão específico, talvez o filme agrade mais aos fãs da guitarra e de seus deuses.

11:50 Escrito por fiume em Filme, Música | Permalink | Comentários (0) | Tags: filme, música | |  del.icio.us | | Digg! Digg |  Facebook | |  Imprimir

Segunda, 13 Setembro 2010

Uma Noite em 67

uma_noite_em_67.jpgSou de 1971. Os festivais famosos da TV Record são, assim, "lembranças" que não tenho.

Mas são sempre citados na história da música brasileira. Principalmente o de 1967. Ali esteve em jogo muito do que passou a ser a MPB a partir dali --a difícil transição entre o tradicional e o novo, que dividiu a música brasileira e, de certo modo, o país numa época de efervescência política e cultural.

O documentário mostra os momentos mais importantes desse festival, intercalando-os com entrevistas atuais de seus principais atores: Chico, Caetano, Gil, Edu Lobo, Sergio Ricardo, Roberto Carlos, MPB4, entre outros.

Um ponto importante é a famosa sequência em que, vaiado por praticamente toda a plateia, Sergio Ricardo desiste de apresentar Beto Bom de Bola, quebra o violão e o atira no público. O filme mostra a cena do início ao fim, em todo o seu contexto --até então, eu só havia visto a explosão em si.

O filme é também repleto de passagens bem engraçadas.

Divertido ver Chico contar que estava tão bêbado (faz aquele sinal com o indicador) quando participou de uma reunião sobre o embrionário Tropicalismo que não se lembrava de nada. Daí seu "choque" ao ver aquelas pessoas com roupas coloridas um tempo depois.

Fora da novidade, Chico acabou se tornando a encarnação da velha guarda. É forte ouvi-lo dizer: "Ninguém gosta de ser (chamado de) velho aos 23 anos"].

Outra passagem engraçada é sobre a origem do Tropicalismo. Caetano atribui a ideia a Gil; este, a Caetano. E ninguém entende nada! Ahahah!

Ainda sobre a Tropicália, um trecho divertidíssimo é aquele em que Magro, do MPB4, conta sobre o encontro com Erasmo Carlos num show de Caetano. Erasmo e Magro não se conheciam, embora um soubesse quem era o outro. Magro (da "velha" MPB) não entendia o que Caetano pretendia ao se arrastar pelo palco. Ao encontrar Erasmo (da Jovem Guarda) no banheiro, este lhe disse: "Não estou entendendo nada!".

Naquela noite de 67, venceu o "velho" com Edu Lobo e Ponteio (Edu Lobo e Capinam). A "novidade" ficou em segundo lugar, com Domingo no Parque (Gilberto Gil), com Gil e Os Mutantes.

Há um trecho interessante no filme em que, feita sua escolha por Ponteio, o jurado Sergio Cabral (o pai, não o governador) diz ter tido a sensação de que deveria ter votado em Domingo no Parque.

Faltou ouvir Marília Medalha, que apresentou Ponteio com Edu Lobo. Fiquei curioso sobre o que ela contaria e também por que ela não aparece. É a única personagem importante fora do filme.

PS.: Particularmente, eu, com a imensíssima vantagem de poder fazê-lo mais de 40 anos depois já com o veredito da História, deixaria Ponteio em quarto lugar, atrás de Roda Viva (Chico Buarque), com Chico e MPB4; Domingo no Parque; e Alegria, Alegria (Caetano Veloso), com Caetano e os Beat Boys. Não necessariamente nessa ordem; não consigo escolher uma, as três são impressionantemente geniais.

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Terça, 31 Agosto 2010

Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo

Viajo+Porque+Preciso,+Volto+Porque+Te+Amo.jpgBelo filme. Confesso que fiquei surpreso.

Ao longo de dez anos, os diretores Marcelo Gomes (do excelente Cinema, Aspirinas e Urubus, escrito por Karim Aïnouz) e Karim Aïnouz (do ótimo O Céu de Suely e de Madame Satã, co-escrito por Marcelo Gomes) filmaram o sertão nordestino.

As imagens, captadas de forma documental, foram reunidas neste road movie incomum. São lugares distintos de Estados como Bahia, Alagoas, Pernambuco e Ceará.

O grande mérito dos dois foi conseguir, de forma muito eficiente, unificar todas essas imagens numa narrativa criativa e coesa.

O texto é muito bom. A ficção vai se adaptando aos personagens e às paisagens reais.

PS.1: Sensacional o sapateiro cantando Noel.

PS.2: Eu também quero uma "vida lazer".

PS.3: Apenas como curiosidade: o trajeto do protagonista não é linear, indo, por exemplo, da Bahia (Paulo Afonso) para o Ceará (Juazeiro) e voltando para Alagoas (Piranhas). Licença ficcional.

15:59 Escrito por fiume em Filme | Permalink | Comentários (1) | Tags: filme | |  del.icio.us | | Digg! Digg |  Facebook | |  Imprimir

Segunda, 30 Agosto 2010

A Origem

images?q=tbn:ANd9GcTalGmnm-OFx3j6W63UYRg62BqE1LwIMhEqq1Pq5j_JN8yJ404&t=1&usg=___cN3m1l_cRm4LyWGwT31dOt-EGw=É divertido. E não é preciso perder tempo tentando entender cada detalhe.

Só achei que tudo ali acontece fácil demais: é fácil sonhar, é fácil invadir e ocupar o sonho alheio, é fácil construir sonhos e é fácil também inocentar um acusado de homicídio. Mas tudo bem...

11:14 Escrito por fiume em Filme | Permalink | Comentários (2) | Tags: filme | |  del.icio.us | | Digg! Digg |  Facebook | |  Imprimir

Segunda, 05 Abril 2010

Os EUA contra John Lennon

EUA x Lennon.jpegDepois de fazer história com os Beatles, John Lennon consolidou-se como uma das personalidades mais marcantes do século 20 unindo música e ativismo pela paz. Compôs canções como Give Peace a Chance e Imagine, defendeu organizações sociais como os Panteras Negras, organizou shows, fez protestos como o famoso bed-in (ele e Yoko Ono passavam dias na cama de um hotel, em diferentes cidades, pregando a paz e deixando-se registrar pela imprensa mundial). É sobre o ativismo de Lennon que se trata o documentário Os EUA contra John Lennon, de David Leaf e John Scheinfeld.

No início nos anos 1970, o governo Richard Nixon viu no crescente movimento contra a Guerra do Vietnã uma ameaça à reeleição do presidente. Passou a monitorar os principias líderes pacifistas, entre eles Lennon, um estrangeiro. A solução encontrada pelo governo dos EUA para neutralizá-lo foi deportá-lo. Iniciou-se assim uma longa batalha nos tribunais.

O filme centra-se nesta disputa, mostrando a faceta ativista muito conhecida e pouco discutida do mais famoso beatle. Traz imagens históricas, entrevistas da época e depoimentos recentes de Yoko, de ativistas, ex-agentes do FBI, ex-integrantes do governo Nixon e intelectuais importantes, como o escritor Gore Vidal e os jornalistas Walter Cronkite e Carl Bernstein. Mas, sinceramente, a briga do governo americano contra Lennon não foi grande o suficiente para tornar o documentário algo além do que uma curiosidade.

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Segunda, 22 Março 2010

O Segredo dos Seus Olhos

filmes_897_O%20Segredo%20dos%20Seus%20Olhos%20Poster.jpgThriller policial. Comédia. Suspense. Romance. Drama político. Alguma ação. Não é fácil equilibrar-se em tantos gêneros numa só obra. O Segredo dos Seus Olhos, do argentino Juan José Campanella, surpreendentemente o faz.

Perito aposentado inicia um livro sobre um caso de que não pode esquecer: o estupro e assassinato de uma bela jovem 25 anos antes. O crime é narrado em flashbacks --um deles é um plano-sequência impressionante durante uma partida de futebol. É neles que descobrimos suas pequenas trapalhadas, sua paixão por uma juíza, a realidade da ditadura militar. O que equilibra tudo isso é o suspense. Sempre presente, sempre a revelar algo, mantendo presa a nossa atenção e surpreendendo-a.

Vencedor do Oscar de filme estrangeiro, O Segredo dos Seus Olhos é de fato um filme notável.

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Domingo, 21 Março 2010

Ilha do Medo

shutter island.jpgNão sou lá lá muito fã do gênero suspense, digamos, psiquiátrico, mas achei Ilha do Medo, do Scorcese, muito bom —fui ver mesmo porque era dele. Há uma tensão intensa e onipresente, muito bem construída, com truques até aparentemente simples —como "descuidos" de continuidade, que nos mostram que nem tudo ali é do jeito que parece ser.

Não é preciso muito tempo para entendermos o que de fato está acontecendo —afinal trata-se de um thriller psicológico—, mas o porquê disso vai se revelando aos poucos, mantendo o suspense —e a tensão— até o final.

Pelo que pude sentir na sala de cinema, nem todo mundo ali curtiu. Na saída, ouvi uma frase curiosa de uma mulher para a amiga, sobre o DiCaprio: "Não entendo como alguém que fez Titanic pôde fazer um troço desses". Não é sensacional?

01:51 Escrito por fiume em Filme | Permalink | Comentários (0) | Tags: filme | |  del.icio.us | | Digg! Digg |  Facebook | |  Imprimir

Terça, 24 Fevereiro 2009

De Partida

De Partida, curta-metragem dos amigos Paulo Paiva, Yuri V. Santos, Cassia Queiroz e Pedro Novaes

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Segunda, 25 Agosto 2008

Flashbacks of a Fool

 

Vale mesmo pelo tal flashback do título original —Flashbacks of a Fool virou Reflexos da Inocência.

Joe (Daniel Craig; também produtor do longa) é um astro de Hollywood que vive um presente autodestrutivo em meio a drogas, orgias, egocentrismo e muita babaquice (pelo menos o personagem não é um yuppie de Wall Street ou um alto executivo de grande empresa). No momento em que se descobre em decadência, recebe também a notícia da morte de seu melhor amigo de infância e juventude.

Essa primeira parte é um tanto monótona. Quando o filme muda para a adolescência de Joe, as coisas melhoram e muito. A partir daí, o filme ganha beleza e maturidade.

Numa vila no litoral inglês, durante as férias de verão nos anos 1970, Joe descobre o primeiro amor, o sexo e o peso dos acontecimentos —a cena em que ele e Ruth dublam If There Is Something, do Roxy Music, é impagável. São os fatos que o levarão a perder a tal inocência do título brasileiro.

É fácil perceber que algo grave o fará se transformar no babaca do presente, mas a história é muito bem conduzida, sem pieguice, pelo diretor Baile Walsh em sua estréia em longas —ele é autor de videoclipes que tem em seu currículo bandas como Oasis e INXS; no filme, além de Roxy Music, destacam-se músicas de David Bowie

Quando ela retorna ao presente, perde bastante força —Joe volta à cidade natal para o enterro. E a pequena redenção que ele consegue no final soa irreal e forçada. Reflexos da Inocência poderia muito bem ter se centrado muito mais no flashback.

02:15 Escrito por fiume em Filme | Permalink | Comentários (0) | Tags: filme | |  del.icio.us | | Digg! Digg |  Facebook | |  Imprimir

Segunda, 23 Junho 2008

Across the Universe

Trailer do filme, dirigido por Julie Taymor

Embora não goste muito de musicais, achei o filme muito legal. É um pouco suave demais, mas nada que atrapalhe. As versões das músicas são ótimas e os caras cantam mesmo. Há ainda participações especiais engraçadas, como as de Bono e, principalmente, de Joe Cocker, além de muitas referências às letras, aos albuns do quarteto ou a personagens reais do anos 60.

 

Trecho com Across the Universe e Helter Skelter

 

Trecho psicodélico, e bem bonito, com Because
Ouvir Beatles me dá vontade escrever/compor uma canção...

19:30 Escrito por fiume em Filme, Música | Permalink | Comentários (0) | Tags: filme, música | |  del.icio.us | | Digg! Digg |  Facebook | |  Imprimir

Segunda, 05 Fevereiro 2007

Pequena Miss Sunshine

medium_505165_little-miss-sunshine-posters.jpgO marido criou uma fórmula do tipo auto-ajuda sobre como vencer na vida. Ele mesmo não venceu. O pai dele foi expulso do asilo. Motivo: heroína. O filho dele, de 15 anos, fez voto de silêncio porque quer muito ser piloto de jato. Não diz uma palavra faz 9 meses. A mulher não agüenta mais a tal fórmula do marido. E tem ainda de se preocupar com o irmão, um estudioso de Proust suicida.

 

Enfim, são todos fracassados — losers, na concepção simplista da cultura americana. E, no decorrer do filme, vemos que as coisas só pioram. Mesmo assim, são uma família. Bem divertida. Juntos, embarcam todos numa velha kombi rumo à Califórnia, onde a filhinha de uns 9 anos sonha em se tornar a Miss Sunshine do título. Ela é adorável. De certo modo, o filme também.

 

É um filme pequeno, independente. Nenhum dos atores é uma grande estrela, mas são conhecidos e bem-conceituados — Alan Arkin e Toni Collette, principalmente. Estão todos ótimos e o conjunto funciona perfeitamente. Tudo isso levou Pequena Miss Sunshine ao Oscar como “gente grande”. Concorre em 4 categorias: filme, atriz coadjuvante (Abigail Breslin, a garotinha) , ator coadjuvante (Arkin, o avô) e roteiro original.

 

Todãs as indicações são merecidas, mas gosto desta última. A história é mesmo bem criativa e divertida. O concurso é uma das partes mais engraçadas — uma crítica ao culto à beleza.

 

Rir de si mesma é um exercício que a cultura americana faz muito bem — como em Os Simpsons; Homer é o resumo do cidadão tolo, guloso e loser. Rir de perdedores é fácil. Talvez seja hora de os EUA rirem também de seus heróis.

03:25 Escrito por fiume em Filme | Permalink | Comentários (0) | Tags: filme | |  del.icio.us | | Digg! Digg |  Facebook | |  Imprimir

Quarta, 25 Outubro 2006

Cum mi-am petrecut sfarsitul lumii

medium_getimg.jpgOntem, bem no meio da tarde, assisti a um filme da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Escolhi um que, muito provavelmente, não poderia ver nem no circuito nem em DVD — afinal, a Mostra é para isso, não?, para ver filmes impossíveis de ver. É claro que a escolha é um chute. A minha foi o romeno Como Eu Festejei o Fim do Mundo. É a indicação da Romênia para ser candidato ao Oscar.

É bom filme, talvez mais para o regular, por ser um pouco convencional demais. O bacana foi poder ter contato com uma cultura distante e recente, no caso a da Romênia de 1989, que seria o último ano de uma longa ditadura.

A história é sobre uma adolescente (a atriz parece a brasileira Maria Flor), que começa a sentir algo errado no ar do país, e seu irmão pequeno e bem engraçado, de uns 6 ou 7 anos. Ela se chama Eva. Ele, Lalalilu.

Eva é expulsa do colégio — que reproduz o clima comunista, com professores autoritários e imagens e canções patrióticas — por uma bobagem: num acidente, ela e o namorado derrubam um busto do ditador Nicolae Ceausescu. Começa então a perceber que algo não pode estar certo naquele clima todo de idolatria.

[Bem, nós aqui já vivemos os nossos anos de chumbo. E, normalmente, nosso cinema os retrata com revolta, luta armada, etc. Não é isso que acontece em Como Eu Festejei o Fim do Mundo. O filme vai mostrando, na verdade, a vizinhança em que os dois irmãos moram, pessoas que, a despeito de tudo, estão tocando suas vidas, apesar de não estarem de acordo com a situação. Não é isso que a maioria das pessoas por aqui também fez? Meus pais, por exemplo. Casaram-se e constituíram família em plena ditadura militar. Mas, embora não concordassem nem um pouco com os generais, levaram a vida ao ponto de, na primeira eleição democrática para presidente, no mesmo ano em que se passa o filme, dois de seus três filhos já estarem na faculdade.]

Eva vai para uma escola-reformatório, onde conhece um garoto cujos pais são suspeitos de conspirarem contra o governo de Ceausescu. Planejam então uma fuga do país cruzando o Rio Danúbio. A história segue por aí até a queda do ditador.

O garoto é bem divertido. Está revoltado tanto com Ceausescu, por causa da expulsão de Eva, quanto com a irmã, por ela querer abandonar a família. Planeja até um atentado contra o ditador. O despertar de Eva e essa parte bem-humorada são o melhor do filme. O final é levemente “aberto”, como o é o futuro de todos nós — inclusive o da Romênia.

PS: O título do post é o nome do filme em romeno

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Segunda, 07 Agosto 2006

Zuzu Angel

medium_zuzzu.jpgDelirando ou sonhando, ela encontra o filho numa praça, à noite. Lamenta o que aconteceu e o que não fez. Ele a conforta e, ao fim, a toma nos braços. É uma cena fictícia, claro. É uma cena bonita. De um bom filme.

A imprensa que li andou reclamando — a Folha deu “regular”; o Estadão elogiou com ressalvas; para o Globo, não está à altura da personagem; Veja nem comentário fez. Sei lá. Ninguém se queixou do Surperman Returns

Acho que o melhor a dizer é que não se prenda às críticas. Pague para ver. O mínimo que terá é conhecimento. E a história é tão simples. Uma tragédia universal. A mãe que luta para enterrar o filho. O elenco é bom. Patrícia Pillar está perfeita.

PS.: Vi, pela primeira vez, em projeção digital. Já tinha lido muitas queixas a respeito. Não achei ruim. Mas ressalvo que a sala do Reserva Cultural tem tela não muito grande. Talvez numa sala do tipo estádio a perda seja de fato notável.

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Segunda, 01 Maio 2006

Árido Movie

Fui ver no sábado. É bom mesmo. Talvez haja um exagero em querer abordar, simultaneamente, muitas questões que formam grandes problemas no semi-árido: seca, religião/misticismo, coronelismo, colonialismo, preconceito, atraso, narcotráfico. Mas não ficou um balaio-de-gatos, não é isso o que eu quero dizer. As histórias são bem contadas.

A principal, do personagem Jonas, é bem interessante. As outras duas, secundárias, também têm valor: a da videomaker e a do trio de amigos malucos — achei esta última também um tanto exagerada em sua porralouquice, mas cabe a ela toda a parte divertida do filme.

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Segunda, 15 Agosto 2005

Nem Tudo é o que Parece

Já aviso que vou contar o final do filme.

 

Fui ver na onda da Folha, que fez crítica elogiosa e deu 4 estrelas na Ilustrada. É o segundo filme ruim de gângster inglês que vejo nos últimos tempos -- o outro é I'll Sleep When I'm Dead. É chato, não vale o esforço de ir até o cinema e pagar o ingresso.

 

Depois dos filmes do Guy Richie, o marido da Madonna, acho que ando esperando demais dos britânicos neste gênero. Pelo que vi na Folha, o diretor Matthew Vaughn é amigo e produtor de Ritchie. O crítico (ou crítica, não me lembro quem era) até recomendava o filme para quem tinha gostados de Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes e Snatch.  Mas não é bem assim.

 

A idéia até parece interessante. Está mais bem apresentada no título original, Layer Cake (camada de bolo). Tem a ver com a ambição de subir socialmente, escalar as tais camadas do bolo social. Deve ser alguma expressão britânica.

 

O protagonista, que não é bem ralé nem chefão na quadrilha, quer se aposentar do crime enquanto está indo bem. Mas terá de fazer um servicinho complicado para o chefão. Aí vai aparecendo aquele bando de gente dando porrada, gritando palavrões, negociando drogas, trapaceando uns aos outros. Não há nenhum personagem muito diferente, nenhum engraçado, nenhum que se sobressaia. Algo que as obras de Richie tinham de sobra.

 

O cara apanha em alguns momentos, bate em outros. Acaba matando o próprio chefe, que, claro, não havia passado o serviço pra ele por acaso. Rei morto, rei posto. Vira o chefe. E, no fim, morre pelas mãos de um bandidinho nerd, porque roubou-lhe a bela (põe bela nisso) namorada.

 

A vida no crime é efêmera. Grande novidade!

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Domingo, 26 Junho 2005

Elefante

É simplesmente genial. Primeiro, porque é uma história que deve ser contada, apesar de toda a sua mostruosidade -- uma recriação da tragédia de Columbine. Segundo, pela forma como ela é contada por Gus van Sant.

 

A história toda é mostrada meio à distância -- a câmera (e o nós) vai acompanhando cada personagem -- num ritmo quase único, esticada até o limite de ser reencontrada de volta no tempo por um novo ângulo (no caso, de um outro personagem).

 

E você sabe quem são todos os personagens. São todos adolescentes comuns.

 

Depois do filme, estava tão tenso que só hoje, o dia seguinte, notei que não sabia p q ele se chama Elefante. Pesquei a explicação do Merten, no arquivo do Estadão:

 

"O título é uma homenagem ao diretor Alan Clarke, que fez um filme homônimo sobre a violência religiosa na Irlanda. Nele se conta, como uma parábola, a história do cego que quer saber o que é um elefante. Trazem o bicho e o cego esquadrinha o animal com as mãos, tentando desvendar, por meio do tato, o segredo da sua forma. Mas o rabo, a tromba, tudo o confunde e ele não consegue totalizar uma idéia. A soma das pequenas partes não lhe permite resolver o enigma. Assim também o cinema age como cego quando se debruça a analisar a violência, por prender-se ao detalhe em vez de contextualizar e fazer uma crítica mais abrangente. É o que se propõe Gus Van Sant."

 

Mas, apesar de tudo, confesso que não quero vê-lo nunca mais. "O horror, o horror...."

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