Quinta, 27 Agosto 2009

Sem bituca?

Farol Madalena, Rua Jericó

 

Quarta, 26 Agosto 2009

Sinuca

Atlanta, Lapa

 

Domingo, 23 Agosto 2009

Trianon

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Parque do Trianon

 

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Segunda, 17 Agosto 2009

A Sangue Frio

capot.jpgNão sei ao certo por que, depois de tantos anos em redações, só agora fui ler A Sangue Frio, de Truman Capote. O que dizer de um livro sobre o qual tanto já foi dito? Ele é tudo o que já foi dito...

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Na trilha do velho rio - 13

Penedo, Alagoas
Terça-feira, 17 de agosto de 1999

Chegamos ao fim da jornada. Ontem, enfim. Foi com alegria que testemunhamos o São Francisco se encontrar com o mar, numa confusão em forma de um imenso triângulo.

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De carro, fomos a Piaçabuçu, cerca de 30 quilômetros de Penedo e 15 da foz. Alugamos um barco e seguimos descendo o que havia sobrado do rio. Foram 50 minutos até a parada ao lado de uma lagoa, já no delta.

A foz do São Francisco é belíssima. Assustadora. Abre-se um enorme triângulo e já fica difícil saber o que é rio, o que é mar. Pequenas ondas seguem por toda parte, numa agitação contínua. A água é ligeiramente salgada, apenas.
Na areia, há pedaços de troncos de coqueiros e outras árvores, cocos, folhas e toda sorte de coisas trazidas pelo rio, como produtos industrializados – o corpo plástico de uma boneca, por exemplo. De costas para o rio, tem-se a impressão que se formou um grande deserto de areia e entulhos após a passagem de um furacão.

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É uma área de proteção ambiental. A pouca presença humana são alguns pescadores, em jangadas ou na praia da foz. Do lado de Sergipe, um farol aponta solitário o que já é mar, rente ao rio. É o que resta de um povoado, contou Arthur, o barqueiro que nos conduziu. Todo o povoado acabou encoberto pela areia, depois que o volume das águas na foz diminuiu pela ação do homem e as embarcações grandes, vindas do mar, deixaram de entrar no São Francisco. Os moradores abandonaram o povoado.

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A permanência na foz foi de mais ou menos três horas – apreciando a paisagem ou, simplesmente, saboreando a conclusão do percurso. No retorno a Piaçabuçu, Arthur parou o barco num banco de areia bem no meio do rio. Ficamos no centro do leito, vislumbrando por alguns instantes Alagoas, Sergipe, a foz, o mar e o interior do rio, quando o sol já começava a baixar na margem sergipana. Um cenário difícil de descrever...

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Indescritível, contudo, foi a sensação de cair nas águas da foz (até bem à vontade), depois dos dias de jornada. Todo o cansaço foi imediatamente esquecido, cedendo lugar a uma certa euforia. Havíamos concluído uma jornada de cerca de 3 mil quilômetros, pelo curso do rio, da nascente à foz.

Foi um boa aventura. Percorremos cerca de 3 mil quilômetros, dos quais apenas nos 531 entre Xique-Xique e Juazeiro não estive ao volante – ainda me restam mais ou menos 2,5 mil até Goiânia.

Gustavo foi um bom parceiro, apesar das muitas reclamações sobre muitas coisas – manteve coerência quanto a isso, como ele mesmo disse – e parecer demonstrar, com sua pressa de seguir sempre em frente, de chegar logo à foz, que o mais importante era cruzar todo rio – não conhecê-lo bem.

Não foi possível, naturalmente. Conhecer o São Francisco com profundidade nestes poucos dias. Mas pudemos ter uma noção. De como ele é importante para muitos e sobre o povo que vive às suas margens.

Alguns dos integrantes dessa população permanecerão, por razões boas ou ruins. Arthur, por exemplo. Foi estranho vê-lo com o filho. Arthur era o barqueiro que nos levou até a foz. Aparenta muito mais do que seus 42 anos. Tem os cabelos bem grisalhos e o rosto bronzeado e coberto de rugas. Seu filho, um adolescente alto, conduzia o barco, enquanto Arthur permanecia na proa. Comunicavam-se com olhares e sinais. Não se falavam. Permaneceram sempre um na proa e outro na popa. O garoto não disse uma palavra sequer. Foi inevitável tentar imaginar se conversam em alguma hora, em casa, e sobre o que falavam entre si.

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Arthur pertence a uma associação de barqueiros que levam visitantes à foz do rio, como explicou. A entidade paga imposto e luta contra os barqueiros clandestinos. No mundo moderno, todos se unem, se organizam e somam forças, até os banqueiros de um pequeno povoado de Alagoas às margens do São Francisco.

O rio é belo e imenso, cercado pela riqueza de alguns agricultores, pela miséria de outros e da maior parte da população que vive às suas margens. Estranho imaginar como seria quando Américo Vespúcio o desbravou – foi o navegador italiano quem o "descobriu", em 4 de outubro de 1501, dia de São Francisco de Assis – ou mesmo quando o francês Auguste de Saint-Hilaire encontrou sua nascente, no século passado. Hoje, é vítima constante das mãos humanas. Está assoreado em tantos trechos e tem tantas barragens que alteram o ecossistema e a vida das pessoas – Arthur contou que as barragens impedem que as cheias tragam material orgânico que serve como adubo para os arrozais nas ilhas nas proximidades da foz, razão pela qual o cultivo caiu drasticamente.

Estou agora em Pontal do Peba, praia quase deserta, em Alagoas, próxima da foz. Há apenas alguns pescadores e carros esporádicos que a usam como pista entre um povoado e outro. Gustavo partiu de manhã para Maceió, onde tomaria um vôo até Vitória. Fiquei mais um dia para descansar. Resolvi ver o mar.

Lembro-me da sensação que tive ao vê-lo no encontro com rio. E se continuássemos? Isso faz toda a jornada dos últimos dias parecer tão pequena...

Foi um sentimento tolo, naturalmente. Mas compreensível. Explico. O homem um dia olhou para o mar e decidiu seguir em frente, não foi? Depois, fez o mesmo com céu. E ainda continua...

Mas minha jornada chegou ao fim. Foram quase 100 cidades no percurso, cruzando cinco Estados da nascente à foz em 15 dias – hoje seria o 16º.

Aqui termina a minha pequena aventura na trilha de um velho rio – o maior totalmente brasileiro. Talvez, algum dia, algum parente futuro encontre esses escritos num canto qualquer. Se disser que teve um antepassado meio maluco, ficarei feliz.

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Procura-se Magoo

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Rua Harmonia, Vila Madalena

 

Domingo, 16 Agosto 2009

Domingo sem fumaça

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Posto 6, Vila Madalena

 

Sábado, 15 Agosto 2009

Sábado sem fumaça

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Genial, Vila Madalena

 

Na trilha do velho rio - 12

Penedo, Alagoas
Domingo, 15 de agosto de 1999

Não foi hoje que concluímos o percurso. Chegamos a Penedo à tarde e adiamos a ida à foz para amanhã. A cidade está um pouco mais distante do mar do que eu supunha.

Saímos cedo de Piranhas. Seguimos com tranqüilidade e paramos nas cidades à margem do rio para olhar: Porto da Folha, Guararu, Propriá. Fomos seguindo pelo lado de Sergipe até Propriá, quando cruzamos a ponte até Alagoas, já perto de Penedo.

Foi interessante ver como a paisagem mudou a partir de Piranhas. Desde que entramos no norte de Minas e no Nordeste, o cenário foi quase sempre de seca. A partir de Piranhas, no entanto, o verde foi aparecendo e mesmo o clima na estrada ficou mais ameno – à sombra, pois o sol continua castigante. Toda a paisagem tornou-se um grande vale verde, repleto de fazendas e plantações. O sertão ficava para trás.

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Em Penedo, o São Francisco é largo e começa a ter uma coloração também azul, além do verde. A cidade é também mais bonita do que eu supunha. É feita de puro barroco, em ruas, casas, praças, igrejas. Há várias igrejas, todas belas. Chegamos a acompanhar uma procissão em louvor a Santo Antônio, que partiu de uma igreja pequenina. Abrindo alas para o santo ou seguindo-o, gente bem simples, que parecia ter acabado de sair do banho e vestido suas roupas mais novas. Crianças fantasiadas de anjos, outras de frades e uma banda de adolescentes; velhas senhoras de cabelos presos, a seguir o grupo pelas ruas de pedra sob o sol intenso do meio da tarde.

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Chegamos ao fim da segunda semana de viagem. Parece bem mais! Passamos por tantos lugares, vimos tantas pessoas e a paisagem já mudou tanto que é como se estivéssemos na estrada há mais tempo. A Serra da Canastra, onde o percurso foi iniciado, parece bem mais distante, no relógio ou no mapa.

Amanhã tudo termina. Espero... Iremos de carro até um povoado vizinho, Piaçabuçu. Pretendemos alugar um barco de pesca que nos leve ao mar, pelo rio.


PS: 1. Só para registrar, sonhei que minha avó havia morrido. Eu e minha mãe subimos não sei por que no terraço de um edifício. Ela nos seguiu. Parecia cega. Caiu. Tentei impedir que ela chegasse à beira. Não pude olhar para baixo, para vê-la. Minha mãe olhou. Eu chorava muito.

2. Gustavo está preocupado. Cecília o pressiona para voltar.

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Sexta, 14 Agosto 2009

Na trilha do velho rio - 11

Piranhas, Alagoas
Sábado, 14 de agosto de 1999

Piranhas é realmente uma cidadezinha bem interessante. É uma das paradas das quais mais me lembrarei. Gostei muito de suas casas antigas e a bela vista do rio – a mais bonita até agora. Descobri mais algumas informações sobre a cidade numa reportagem exposta na parede da pousada.

Piranhas foi fundada no século 18, como arraial. Começou com pescadores. Segundo a lenda, um deles pescou uma grande piranha e, ao chegar em casa, notou que havia esquecido o cutelo. Disse ao filho que fosse ao "porto da piranha" buscá-lo. O nome ficou.

Sua arquitetura é belíssima. Há várias pequenas casas coloniais, cercadas por ruas de calçamento de pedras. Uma pequena travessia para o passado. Não pude visitar a igreja principal do povoado – Nossa Senhora da Saúde -, pois estava fechada. Data do início do século 19.

Por um bom tempo, Piranhas viveu em torno da estação ferroviária. Era entreposto que distribuía mercadorias vindas da Bahia para as cidades da região. O prédio da estação foi concluído em 1881. Foi autorizado por D. Pedro I em 1854, quando ele estava de passagem rumo a Paulo Afonso. O prédio hoje abriga o Museu do Sertão, que exibe vários objetos de uso corrente do sertanejo e muitas fotos sobre o cangaceiro Lampião, o rei, que foi morto bem perto, embora do outro lado do rio, em Angicos, Sergipe. A cidade foi bem marcada pelo cangaço.

De manhã, tomamos o barco alugado de um pescador, Zé da Marina (sua mãe), até a Praia de Angicos, no município sergipano de Poço Redondo. O local fica em direção à foz. Da praia, seguimos por uma trilha, guiados por Francisco, um garoto magro de uns 13 anos que trabalha como guia-mirim. Cruzamos o lugar, entre mandacarus e caatingas, até a grota onde Lampião, Maria Bonita e seu bando foram executados numa emboscada. A trilha, de aproximadamente 750 metros, foi a que os volantes abriram em 1938 para a emboscada. O rei do cangaço foi morto em 28 de agosto daquele ano.

Francisco – ou Tico, como sua família o chama – contava os fatos da emboscada e um pouco sobre a história de Lampião. Falava com um certo orgulho, ou talvez esta não seja a palavra certa. Gustavo lhe perguntou se considerava o cangaceiro um bandido ou um herói. Para ele, Lampião era um pouco dos dois. Apesar de roubar muitas cidades, ele daria parte do que tirava dos ricos para os pobres, numa espécie de Robin Hood do sertão. Será?

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Foi uma experiência inesperada visitar da Grota de Angico. Para um nativo do distante Goiás, sinto, Lampião, Maria Bonita e todo o cangaço soam como algo imensamente longínquo, presente na cultura popular e nos livros de história. Nem sabia que o local da emboscada ficava tão perto do São Francisco. Imaginava que tivesse ocorrido no meio do sertão desértico.

Depois de Angico, voltamos a Piranhas e passeamos a pé pelas ruas estreitas num relevo sempre irregular. No barco, ainda a caminho da cidade, notei uma pequena igreja erguida na margem sergipana, em frente de Piranhas. Perguntei a Zé da Marina o que era. Ele nos contou a história, que soa como uma lenda trágica. Costumava ouvi-la de seus avós.

>Havia uma moça que morava com sua família na margem do rio. Noiva, havia se envolvido com outro homem. Decidira então fugir com ele. Marcou de encontrá-lo num morro próximo da margem. O noivo preterido, contudo, foi avisado e partiu ao encontro dela. A moça ainda esperava o amante quando o noivo surgiu. Tentou fugir e acabou morta. A capela foi erguida em sua homenagem no local do assassinato.

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À tarde, fomos à represa da hidrelétrica de Xingó, em Canindé do São Francisco, na margem sergipana. Tomamos um catamarã. Foi um passeio bem (até demais) turístico. Achávamos que iríamos seguir rio acima (o que realmente foi verdade) para ver o canyon até perto da Usina de Paulo Afonso. Ficamos, contudo, apenas no lago de Xingó.

PS: Continuo cansado. Ainda tenho aquele meio desejo de concluir logo a viagem. Mas isso pode esperar. É preciso paciência. A expectativa para amanhã é grande. Iremos a Penedo e atingiremos a foz, o ponto final de nossa jornada.

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